Quando se fala em esporte dentro de uma família, a imagem mais comum é a de pais incentivando os filhos desde cedo. Em Apucarana, porém, duas histórias mostram que esse caminho também pode ser diferente. Em uma delas, foi um adolescente quem despertou no padrasto a paixão pela corrida de rua. Na outra, o exemplo de um pai fez do jiu-jítsu um elo entre gerações.
Neste Dia dos Pais, as trajetórias de João Miguel Marques da Silva, Omar Cerezini Brumatti e da família Caldeira mostram que o esporte vai muito além da competição: ele aproxima pessoas, ensina valores e cria memórias compartilhadas.
A paixão pela corrida começou cedo para João Miguel Marques da Silva, hoje com 14 anos. Ainda criança, ele já demonstrava interesse pelo esporte. Aos 11 anos, participou de uma prova escolar no Parque Jaboti e, mesmo sem uma preparação específica, conquistou o quarto lugar. O desempenho chamou a atenção do professor José Marcelino da Silva, o Grillo, que fez o convite para que o jovem passasse a treinar no Complexo Esportivo Lagoão.
Desde então, João não parou mais. A dedicação do adolescente acabou mudando também a rotina da família.
João perdeu o pai biológico ainda criança. Quando tinha apenas quatro anos, Omar Cerezini Brumatti, de 53 anos, passou a fazer parte da família e assumiu a figura paterna na vida do menino. Ao lado da mãe de João, a agrônoma Tatyana Alessandra Guirro, de 36 anos, Omar acompanhou o crescimento do garoto e, com o tempo, também se tornou parceiro nas pistas.
O que começou como incentivo ao filho acabou despertando no próprio Omar uma nova paixão. Hoje, os dois dividem treinos, provas e conquistas no atletismo.
A parceria também aparece nos resultados. Em 2025, pai e filho representaram Apucarana na 3ª edição da Corrida Barra Run, em Barra Velha, Santa Catarina. João conquistou o terceiro lugar na categoria de 16 a 24 anos, mesmo competindo ainda muito jovem, e completou a prova de cinco quilômetros em 19 minutos e 43 segundos, ficando entre os melhores colocados na classificação geral.
O resultado se somou a outras conquistas do atleta, como o primeiro lugar entre os apucaranenses na Prova Vinte e Oito, a terceira colocação na Corrida de Rolândia e o segundo lugar na Corrida 7 de Setembro.
Para Omar, a história da família tem um significado especial justamente por inverter o papel tradicional de incentivo.
“Ele mudou as nossas vidas, porque foi ele quem nos levou para o esporte. Normal, são os pais incentivarem os filhos. No nosso caso, foi o João quem nos levou. Ele é o nosso maior orgulho.
Mais do que resultados, Omar acredita que a corrida deixou ensinamentos que acompanham o filho para toda a vida. “A lição que queremos deixar para ele é que o verdadeiro sucesso não está em vencer os outros, mas em superar a si mesmo todos os dias. Mais do que formar atletas, o esporte forma pessoas. Ele ensina que o caráter vale mais que medalhas, que o esforço vale mais do que o talento sem dedicação e que cair faz parte do caminho. O importante é sempre levantar e continuar.”
Se na família de João Miguel foi o filho quem apresentou o esporte ao pai, na casa de Hilário Caldeira Neto, de 41 anos, o caminho foi diferente. Foi o pai quem abriu as portas do tatame para os filhos.
Hilário iniciou nas artes marciais em 2016 e conheceu o jiu-jítsu três anos depois. A dedicação aos treinos rapidamente despertou o interesse do filho mais velho, Felipe Caldeira, de 14 anos, que começou a praticar a modalidade em 2021.
Hoje, Felipe também compete. Nesta sexta-feira (07), ele estava em Campo Mourão, representando Apucarana nos Jogos Escolares.
O exemplo do pai e do irmão também inspirou Henrique Caldeira, de 9 anos, que seguiu os mesmos passos e já participa de competições. Até a pequena Natália, de 3 anos, acompanha a rotina da família e faz questão de vestir o kimono e brincar no tatame.
A rotina dos Caldeira é marcada por treinos, competições e preparação. Enquanto Hilário e os filhos se dedicam ao esporte, a esposa, Bruna Fávaro Machado Caldeira, de 36 anos, auxilia principalmente na alimentação e nos cuidados para que os atletas alcancem o peso ideal nas competições.
Os resultados vieram. Hilário acumula títulos como pentacampeão brasileiro pela CBJJ e pentacampeão mundial pela CBJJE. Os filhos também já colecionam medalhas, incluindo uma conquista de Henrique no Campeonato Mundial da modalidade.
Apesar das vitórias, para Hilário, o maior legado está nos valores aprendidos dentro do tatame.
“A disciplina e o respeito que o jiu-jítsu ensina mudaram completamente a nossa rotina. Quero que eles continuem seguindo esse caminho que tanto mudou a minha vida. O esporte mostra que a evolução acontece aos poucos e que a dedicação faz diferença em tudo: nos estudos, na profissão e na vida.
Henrique resume em poucas palavras o sentimento ao ver o pai competindo. Ao ser perguntado se sente orgulho dele, responde: “Sim.
As duas famílias têm histórias diferentes, mas compartilham o mesmo aprendizado. Em uma, foi o filho quem conduziu o pai para o esporte. Na outra, o pai se tornou inspiração para os filhos dentro e fora do tatame.
Neste Dia dos Pais, as medalhas ajudam a contar essas trajetórias, mas não são o principal símbolo delas. A maior conquista está nos momentos compartilhados, nos desafios superados juntos e nos valores que passam de uma geração para outra.
Fonte TNOn line




