O câncer de pâncreas é uma das formas mais letais da doença e tem a pior taxa de sobrevivência entre os principais tipos de tumor: apenas 13% dos pacientes permanecem vivos cinco anos após o diagnóstico.
Para compreender melhor esse cenário, pesquisadores do Trinity College Dublin, na Irlanda, publicaram nessa sexta-feira (1º/5), na revista Cancer Letters, um estudo que ajuda a ampliar a compreensão do tumor e detalhar como a doença se desenvolve e age em diferentes níveis do organismo.
O trabalho funciona como uma espécie de “manual” do câncer de pâncreas. O câncer no pâncreas é conhecido por ter uma detecção tardia, biologia agressiva, opções limitadas de tratamento e o menor financiamento para pesquisas.
O artigo mostra que o câncer de pâncreas não deve ser entendido como um problema único, mas como resultado de uma rede complexa de fatores. Entre eles estão mutações genéticas, microambiente tumoral, capacidade de escapar do sistema imunológico, alterações metabólicas, interações entre tumor e nervos e até o microbioma.
Essa combinação ajuda a explicar por que o tumor é tão difícil de tratar e por que terapias voltadas a apenas um alvo costumam ter efeito limitado.
A autora principal, Laura Kane, pesquisadora de pós-doutorado da Research Ireland, afirma que o câncer de pâncreas não é conduzido por uma única via, mas por um sistema altamente coordenado.
“O que fizemos foi reunir toda essa complexidade em uma estrutura única e utilizável. Ao mostrar como esses diferentes mecanismos se conectam, podemos começar a enxergar onde podem estar as verdadeiras vulnerabilidades da doença”, disse.
Uma das principais mensagens é que abordagens baseadas em um único medicamento têm pouca chance de sucesso. Para os pesquisadores, o avanço deve depender de tratamentos mais inteligentes, baseados em combinações capazes de atingir várias características da doença ao mesmo tempo.
Novas terapias
Essa mudança de visão pode influenciar o desenho de ensaios clínicos e o desenvolvimento de novas terapias.
A pesquisa ajuda pacientes e familiares a entenderem por que o câncer de pâncreas tem se mostrado tão resistente aos tratamentos e onde novas possibilidades podem surgir.
Para os próximos passos, a equipe destaca a necessidade de ensaios clínicos guiados por biomarcadores, melhores modelos laboratoriais que representem a complexidade real dos tumores e abordagens mais integradas para atacar a doença.
Fonte Metropolis




